ॐ :a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar: ॐ

ॐ Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não. ॐ
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:: Sexta-feira, Setembro 23, 2005 ::

BossaCucaNova




Pra quem não viu, pra quem não conhece, pra quem nunca escutou. BossaCucaNova, uma batida diferente. Brasilidade em cima do ritmo. Seja lá onde for que tu esteja. No andar de cima ou no andar de baixo. Porque a batida é diferente. E, se amanhã, tu tiver uma festa pra ir, vê se vai. Acho que não teria problema, talvez até fosse bom. Porque no sol dourado se alguém achar que tem alguma coisa, deixe achar. Se é que você me entende rio-lago Guaíba. Domingo ou numa sexta de manhã morena bonita, você até parece que dança.

Porque sei que te vi. Ali, parada. Sem saber se vinha ou não vinha. Subindo e descendo as escadas. Com o cabelo moreno e o sorriso molhado, meio tímido e meio escondido. Por entre parentes e conhecidos. Mas sorriso. De lado e com gosto e cheiro de morango. Numa batida de bossa nova. Onde se gosta, sente e espera...

"Porque a Bossa Nova se ramificou em várias raízes. Todas elas muito importantes para nossa música, claro. Mas de todas as raízes eu continuo gostando mais da primeira, que foi uma música sem preocupação nenhuma política ou social, mas apenas com uma intenção. Que era de se fazer uma música popular moderna e atual como a que fazemos até hoje. E é assim que eu sinto a Bossa Nova."

:: 5:07 AM ::

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:: Quinta-feira, Setembro 22, 2005 ::

Viva longe e não perca muito tempo procurando atalhos. Porque o azul do verde-azul-castanho-castanho claro nos olhos dela são como olhos de mar. Onde o meu barco pode atracar.


Você já parou para pensar que o mundo não nos ensina a envelhecer?


:: 8:26 PM ::

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Repetindo o texto de uns dias atrás...

Primavera portanto, onde os sonhos são sempre desfeitos em algum dia de hesitação, quando então as forças da natureza providenciam secretamente a fatalidade de tudo que desabrocha. O dia amanhece sem pressa de acabar. Estando o Sol à meia altura no oriente, claro e límpido de luz. Mas não adianta tu ficar te perguntando se ainda haverá primavera do lado de fora da janela! Pois ainda é possível perceber claros reflexos. Onde já se começa a conhecer um pouco melhor o biorritmo dentro do tempo. Que sonha com o silêncio de todas as palavras e dos sentidos.

Então aproveita a tua primavera que chega aí. Aproveita pra mudar algumas coisas na tua vida também. Não deixa pra fazer-prometer na noite do dia 31 de dezembro. Pra quê esperar? Feche o elo e o torne mais forte em sua volta. Para que tu possas lembrar e dizer daqui uns anos: "foi numa tarde de setembro, primavera bem me lembro, que a história começou..."

:: 8:15 PM ::

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:: Quarta-feira, Setembro 21, 2005 ::

Qual o doido que se sabe maluco?

Ou só por um momento, onde frases e palavras são ditas sincronizadas e saem assim, facilmente. Com cadeiras já sobre as mesas do bar, onde nomes são trocados por 'marianas' e 'rodrigos'. Onde um já conhecia o outro, onde outra já conhecia o um, ou não. Porque talvez não fossem loucos, não loucos para os loucos. Ou talvez fossem loucos como os loucos. Afinal, qual o doido que se sabe maluco? Mas sabem que loucos não são. Talvez loucos descobertos ao som de uma banda ou ao gosto de um absinto. Porque se sabe que amanhã e depois não vai ter sol e se vai ficar em casa sem olhar a chuva. Sem tirar o pijama nem a meia do pé que fica perfeitamente e bem aconchegado numa havaiana. Ou então esperar o sol vir nos visitar e soltar o dog num parque, onde se fica, ao longe, vendo suas orelhas balançarem. Como o vento balança as folhas, as árvores, os cabelos... onde se sente mais perto. E, se amanhã tiver sol, poder caminhar na beira da praia. Para que a menina dance descalça na areia. Porque afinal de contas, não somos nós os loucos!!!


:: 7:43 PM ::

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:: Segunda-feira, Setembro 19, 2005 ::

Ostra feliz não faz pérola

Por Rubem Alves


"Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostra felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostra felizes se riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão... "Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para a sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras de repente seus dentes bateram numa objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-o em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."

Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores na alma.

:: 7:22 PM ::

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